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Camaçari 261 anos: onde a metrópole não avança

Escrito por Edvaldo Jr. em 25 de Setembro de 2019
[Camaçari 261 anos: onde a metrópole não avança]

(Foto: Rafael Rodrigues)

Camaçari 261 anos: onde a metrópole não avança.

O fim da ditadura militar deu novos contornos à vida pública da cidadania Camaçariense. A redemocratização tratou de restaurar a participação popular no processo político nacional e o voto direto para escolha das representações do Executivo e Legislativo trouxe a chance real de ter os desejos coletivos observados. A presença do Polo Petroquímico, um dos mais importantes polos da América Latina instalado na cidade em 1978, fez de Camaçari uma das mais estratégicas cidades da Região Metropolitana de Salvador, tanto em termos econômicos, como em termos políticos.

Camaçari agora tinha conexão global, e entrara para a história como o município responsável pelo desenvolvimento da Bahia, afinal de contas, o estado que tinha sua base econômica agrária, agora se via emaranhado nas teias da era industrial. Camaçari passa a ter então uma grande importância na política nacional.  As decisões políticas que antes eram verticais, horizontalizaram-se, e de lá para cá já se vão 30 anos em que os populares escolhem de forma direta seus representantes, mas parece que essa “nacionalização” também nos liga às heranças culturais das práticas político-partidárias brasileiras. Ainda nos falta um projeto de cidade em longo prazo. 

Seria um exercício inútil tentar negar os avanços pelo quais passou o município nos últimos 30 anos. A cidade transitou por governos de esquerda e de direita, avançamos em muitos aspectos, mas o papel da política é nos possibilitar o caminhar adiante, por isso é importante ponderar o passado para propor o futuro. Vamos nessa?

De 2005 a 2017 a nota do município no IDEB, índice que mede a qualidade da educação básica no Brasil foi de 2,5 para 4,8, o que representa uma melhora de 92% nos últimos 12 anos, mas se ponderarmos um pouco veremos que para um município que teve uma receita tributária de R$ 276.635477,03 em 2017, seu índice já deveria está próximo daquele que é considerado ideal para a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) que é 6,0.

Quando o assunto é segurança pública ainda estamos no ranking de uma das cidades com maior taxa de homicídio da Bahia. O atlas da violência 2019 publicado pelo IPEA apontou 285 homicídios registrados em 2017 e uma taxa de 98,1%. Aqui nos vale ponderar mais uma vez, esses 285 homicídios são apenas aqueles REGISTRADOS, afinal, o aparato institucional de Camaçari para suporte a segurança pública ainda é ínfimo, e a ação policial apenas configura um mecanismo de exercício do poder público, o que é muito diferente de uma política integrada de segurança pública que não apenas consiga reter os registros estatísticos da violência municipal, mas, sobretudo, possuir capacidade de fornecer subsídios ao fomento de políticas de segurança pública.

E o turismo? Temos 42 quilômetros de orla, mas no relatório que mediu o índice de competitividade do turismo nacional elaborado pelo Ministério do Turismo em parceria com o SEBRAE em 2015, não fomos sequer listados como um dos municípios da Bahia com um grande potencial turístico. Aliás, vamos combinar? Basta ir à praia de Guarajuba, para ver um “gringo” pagando água com nota de um dólar. O mundo já descobriu-nos, falta agora potencializar isso. Apesar das várias obras de requalificação que tornaram a nossa orla mais convidativa visualmente, ainda nos falta programas que estimulem a atividade turística nessas localidades.

Se fossemos detalhar a fraqueza de cada política pública do nosso município, deixaríamos você, leitor, cansado. Os exemplos foram apenas para lembrar que ainda temos muito que caminhar. Mobilidade urbana, fomento ao ensino superior, investimento em cultura, arte e inovação, aquecimento do comércio local, obras de infraestrutura, enfim, o que não nos falta é trabalho.

Por isso o papel da política sempre será o de comemorar o presente com um olhar no futuro.

Parabéns Camaçari por seus 261 anos de luta.

Edvaldo Jr. é Professor Historiador pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), pós-graduando em Direito Público Municipal pela Universidade Católica do Salvador (UCSAL).

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