Artigo

A operação Witzelnaro: e a negação da vida

Escrito por Edvaldo Jr. em 27 de Agosto de 2019
[A operação Witzelnaro: e a negação da vida]

A operação Witzelnaro: e a negação da vida.

O direito à vida é sem dúvida o mais importante direito a ser observado, segundo Jefferson esse foi, e é um direito a nós assegurado pelo criador: “Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens são criados iguais, dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes estão a vida, a liberdade e a procura da felicidade.” Sendo assim, cabendo só a ele o direito de nos negar.

Estamos observando no Brasil como sistematicamente o direito à vida vem sendo violentado, muitas vezes por parte do Estado através da atuação de seus agentes, ou por particulares afim de defender interesse exclusos. A falta de acesso a saúde, a educação, a moradia, a segurança e até a cultura e lazer demonstram como a vida não faz nenhum sentido em nossa sociedade. A negativa em relação a esses direitos só torna-se possível pelo nosso desprezo ao outro, só luta por esse direito aqueles que a colocam em inviolável grau de importância.  

No mento em que escrevo esse artigo dois acontecimentos me chamam atenção e me ajudam a ratificar aquilo que estou a defender: Nosso desprezo pelo direito à vida”. O primeiro ato se passa na ponte Rio Niterói (RJ). Um jovem sem qualquer gancho com a lei, nem mesmo por discussão de vinhos, resolveu então sequestrar um ônibus e assim manteve algumas pessoas sobre seu poder enquanto ameaçava atear fogo em todo ônibus o que seria trágico. Depois de libertar alguns reféns e jogar um casaco sinalizando o início de um processo de rendição, o homem é atingido por tiros disparados por um atirador de elite sobre um carro de bombeiro. Minutos depois o governador desce de um helicóptero e comemora como se o Brasil tivesse virado o jogo, e agora estava 8x7 para o Brasil contra os alemães. Depois descobrimos que o jovem sofria com depressão.  

O segundo ato toma conta das divulgações de conversas de procuradores federais responsáveis pelas investigações na operação lava-jato. O diálogo então revela como os agentes públicos se comportaram nos casos da morte da Sra. Marisa Letícia, do Sr. Genival Inácio da Silva, o Vavá, e do menino Arthur Lula da Silva. Era em tom de deboche que eles se referiam às vidas que se esvaziavam, sem nenhuma preocupação institucional ou algum pudor moral, para essas pessoas a vida é o que menos importa. Mas, deveriam ser eles os representantes do poder judiciário, os primeiros a saberem que o direito à vida antecede todos os outros.

Precisamos repensar que modelo de país estamos preparando para o futuro. Lutar pela vida, garantir que essa seja um direito inalienável é uma obrigação moral de todos os cidadãos, além de ser um direito político que deve ser garantido pelo Estado. Não podemos esquecer do sacrifício feito por Jesus, ceifando a própria vida para que a nós fosse garantido esse direito.

Edvaldo Jr. é Professor Historiador pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), pós-graduando em Direito Público Municipal pela Universidade Católica do Salvador (UCSAL).

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