Artigo

História de Camaçari precisa chegar à sala de aula 

Escrito por Diego Copque em 26 de Março de 2019
[História de Camaçari precisa chegar à sala de aula ]

A história local e seu estudo é uma ferramenta essencial no ensino fundamental e médio, seja das redes municipal e estadual de Camaçari. A partir de uma nova abordagem metodológica é possível trabalhar em sala de aula a história local de forma lúdica para que os alunos sintam-se inseridos no contexto histórico. Com as novas ferramentas que o computador permite a partir do universo de novas pesquisas referentes à história da própria cidade em que vivemos, podemos construir o fundamental e necessário sentimento de pertencimento. Além de se tornar conhecedor de sua própria história, os estudantes passam a entender, respeitar e preservar suas raízes históricas, étnicas e culturais. Um exemplo dessa origem é a comunidade remanescente de quilombolas de Cordoaria, ou de outras povoações como Abrantes e Parafuso. Essa interação não apenas ensina sobre nosso passado. Nos torna mais preparados para proteger a identidade e a nossa cultura local.  

Podemos explorar de várias formas o ensino da história local no município de Camaçari. Nessa perspectiva, trazemos alguns exemplos, como a importância histórica do Rio Joanes. Nesse entendimento regressamos à Bahia colonial do início do século XVII. Entre muitas finalidades a travessia do Rio Joanes era importante para a economia local e para o abastecimento da cidade do Salvador com o gado que vinha de Feira de Capuame, atual município de Dias D'Ávila. Esse gado passava pela imemorial Estrada das Boiadas e atravessava o Rio Joanes através da barca de passagem. Essa mesma passagem servia para escoamento do açúcar e do algodão produzido na região, além do que essa mesma região testemunhou o processo de resistência dos povos indígenas e negros.  

É importante registrar que os estudantes precisam ter conhecimento a respeito da identidade étnica e das práticas socioculturais de seus ancestrais, como também aprender acerca da representação dos topônimos geográficos de sua cidade que possui diversas localidades com nomes de origem indígena, a data de fundação e emancipação política do município e sua participação nas lutas para a consolidação da Independência do Brasil na Bahia. 

Finalizo esse artigo, afirmando que é preciso que as autoridades responsáveis pelas políticas de educação e cultura de Camaçari aprendam e valorizem a história local para a preservação de nossa identidade. 

Diego de Jesus Copque [email protected] é professor, compositor letrista, historiador, pesquisador da História de Camaçari e autor do livro em fase de edição Do Joanes ao Jacuípe, uma história de muitas querelas, tensões e disputas locais.  

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