Ir para a capa Entrar em contato
    Buscar por:
    Web
    Camaçari Notícias
Camaçari, 31 de Julho de 2014

Qual é a sua opinião sobre a Polícia em Camaçari?








EDUCAÇÃO
Segunda-feira, 01 de Novembro de 2010

Dilma entra no clube das mais poderosas


O Dia - Rio - O importante jornal britânico ‘The Independent’ afirmou, antes do primeiro turno que, ao vencer as eleições, a “ex-guerrilheira” Dilma Rousseff se tornaria a mulher mais poderosa do mundo. Compartilhando ou não a opinião da publicação, especialistas concordam que a vitória da petista é uma conquista de quem luta pela igualdade de gêneros na política, principalmente no Brasil. Em ranking elaborado pela União Interparlamentar, o País ocupa apenas a 108ª posição, de um total de 188 nações, quando o assunto é a presença de mulheres nos parlamentos. O índice, de cerca de 16% de mulheres no Senado brasileiro e 9% entre os deputados, é um dos mais desiguais da América Latina.

Para se ter outra ideia do abismo entre a representatividade de homens e mulheres em cargos políticos no Brasil, a Argentina, que tem como chefe de Estado — e virtual candidata à reeleição após a morte do marido — Cristina Kirchner, tem até 35,2% de mulheres nos parlamentos. A Alemanha, da chanceler Angela Merkel, eleita a mulher mais poderosa do mundo três vezes pela revista ‘Forbes’, elegeu 21,7% de mulheres em suas câmaras. Os EUA, da secretária de Estado Hillary Clinton, têm 15,3%, e o Chile, que até o ano passado era governado por Michelle Bachelet —nova diretora do organismo da ONU para igualdade de gênero — é representado por 13,2% de mulheres em seus parlamentos.

“O Brasil tem uma cultura política muito masculina em ambientes como partidos políticos, sindicatos e movimentos estudantis. O fato de uma mulher vencer a eleição presidencial pode, sim, encorajar outras a participarem da vida política. Além disso, abre mais espaço para outras discussões, como a questão da diferença de salários entre homens e mulheres, entre outras. Agora, o desempenho do governo dela também pode ter influência: se for um sucesso, pode mandar uma mensagem de que as mulheres são capazes de ocupar qualquer cargo”, opina o professor do Departamento de Sociologia da PUC-Rio, Ricardo Ismael.

A socióloga e especialista em estudos sobre a mulher na política da Uerj Clara Maria de Oliveira Araújo concorda que a eleição de Dilma e a própria candidatura de Marina Silva têm uma influência positiva, mas chama a atenção para o fato de que uma mulher no poder não é garantia de que haverá avanço nos direitos delas, coletivamente. “Margaret Thatcher é mulher e, durante o período em que ela foi primeira-ministra na Inglaterra, houve cortes sociais que afetaram a luta por direitos das mulheres”, lembra.

“Já Michelle Bachelet criou um ministério com divisão igual entre homens e mulheres e investiu em várias políticas de igualdade de gênero. A Dilma fez parte de uma administração que teve gestos que marcaram um compromisso em relação a um aumento da igualdade de gêneros”, acrescentou Clara, lembrando medidas como a criação da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), legislação no Imposto de Renda que ajudou a formalizar o emprego doméstico, o Pronasci, e os debates sobre a ampliação da licença maternidade.

“Mesmo assim, as diferenças ainda são imensas. As mulheres estão em empregos mais precários e vivemos num país onde apenas 18% das crianças com idade entre 0 e 3 anos estão em creches. Esse é um fator que influi na falta de tempo delas para participar da vida política”, diz a socióloga.

Representação feminina deve crescer

De acordo com Rebecca Tavares, representante do UNIFEM-ONU/Mulheres para o Brasil e Cone Sul, existe uma expectativa de que a participação política das mulheres brasileiras cresça. “Estamos diante de uma mudança de mentalidade e comportamento. Aposta na capacidade de liderança e trabalho das mulheres, ou seja, alteração de sentidos e referencias de gênero e poder”, afirma.

Segundo Tavares, o fato de duas mulheres terem aparecido na disputa da política nacional, por si só, já tem seu significado: “Hoje, Dilma Rousseff e Marina Silva são peças centrais do jogo político. Elas apresentaram suas propostas de governar o País, têm condições de disputar o poder e são lidas pela sociedade como merecedoras dos votos de milhões de brasileiros”.

Ela ressalta, entretanto, que o balanço de poder no Brasil tem muito a evoluir: “É preciso enxergar o potencial das mulheres como dirigentes”.

Da luta para votar à Presidência do País

A chegada de Dilma ao poder acontece quase 80 anos depois que as mulheres conseguiram o direito de ir às urnas em eleições nacionais.

A primeira autorização para o voto nacional veio em 1932, através do Código Eleitoral Provisório. Ele estipulava, entretanto, que para votar a mulher tinha que ser viúva, solteira com renda própria ou ter a autorização do marido. Essas restrições foram derrubadas em 1934. Até 1946, porém, o voto feminino não era obrigatório.

Antes dessas conquistas, individualmente, o Estado do Rio Grande do Norte foi o primeiro a permitir que mulheres votassem e se candidatassem, em 1927. Eleitores do estado escolheram Alzira Soriano como a primeira prefeita do País, na cidade de Lajes, em 1928. Uma decisão da Comissão de Poderes do Senado, entretanto, fez com que ela tivesse que deixar o cargo. Em 1933, Carlota Pereira Queiroz foi eleita deputada federal por São Paulo e atuou na Assembleia Nacional Constituinte.
  


Voltar



  • Para receber notícias basta digitar seu e-mail


www.camacarinoticias.com.br     -     © Todos os direitos Reservados        -
Click5 - Marketing e Soluções Interativas